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ALÉM...

 

PODEMOS SONHAR COM UMA ALTERNATIVA DIFERENTE DA OFERECIDA PELA CULTURA DE MERCADO E SUAS ARMAS?

Desde o tempo em que ideologias e instituições dominantes usam os meios de comunicação para consolidar seu poder sobre os povos, os radicais respondem, usando sua própria tática de mídia, para romper e subverter a corrente vigente. Isso foi alcançado através da criação da mídia independente e underground, ou da inserção deliberada da mídia radical nos canais tradicionais.
Para os interessados em contestar o status quo através da comunicação radical, dois desafios principais se apresentam. Um é simplesmente uma questão de limites como falta de fundos, falta de acesso à mídia e até perseguição gerada por desafiar as estruturas já existentes. O segundo e maior desafio é a dificuldade em evitar a replicação dos modelos tradicionais de comunicação ao apresentar uma programação radical.

Comunicar novas realidades sociais através dos mesmos velhos canais não somente retarda a mudança, como acaba nos levando a cooperar com a ideologia dominante. Em " Requiem for the Media ",1971, o crítico Jean Baudrillard firmemente condena a esquerda por querer ter acesso às ferramentas da mídia vigente, com isso não admitindo que os sistemas dominantes da mídia eram eles mesmos operários da ideologia.

Recentemente, como a sócio-economia neoliberal se transformou na nova grande força ideológica global, sua forma dominante de comunicação,ou seja, o modelo persuasivo de publicidade, também se tornou o principal modelo de disseminação da informação. Governos contemporâneos e organizações sociais agora contratam agências de publicidade para ajudar a alinhar a opinião pública de acordo com seus pontos de vista, empregando estratégias de persuasão desenvolvidas comercialmente. Em muitos países,o próprio processo democrático foi dominado pelo branding e rotatividade de informação.

Até a oposição ao mercado muitas vezes joga sob as mesmas regras.
A “culture jamming” ou “interferência cultural” ( subversão de textos e imagens correntes) que estamos promovendo neste festival, apesar de ser uma reação efetiva à cultura de marcas, pode se tornar uma manifestação da comunicação de mercado se for dirigida a um determinado público, de uma certa maneira.

Quando os próprios ativistas culturais subvertem anúncios, ganham um poder clandestino sobre uma forma de comunicação que domina a nossas vidas.
Mais que isso, eles percebem que resistência não apenas é algo possível mas também divertido! É aí que está o verdadeiro poder da tática. No entanto, quando o mesmo produto subvertido é disseminado a um público maior na esperança de influenciar opiniões, o terreno se torna mais problemático. Aqui, o ativista cultural pode facilmente acabar se tornando um marqueteiro de outra mensagem, se cruzar a linha tênue entre romper o fluxo da publicidade com uma mensagem realmente radical, ou transmitir um apelo persuasivo que acaba unindo o próprio fluxo.

 

 

 



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